Me deixa ser egoísta.
Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim
e quero ser preservada.
Me deixa de fora de suas mentiras
e dessa conversa fiada.
Eu sou uma espécie quase em extinção:
eu acredito nas pessoas.
E eu quase acredito em você.
Não precisa gostar de mim se não quiser.
Mas não me faça acreditar que é amor,
caso seja apenas derivado.
Não me diga nada.
(Ou me diga tudo).
Não me olhe assim,
você diz tanta coisa com um olhar.
E olhar mente, eu sei!
E eu sei por que aprendi.
Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?)
Mas meu coração está rouco agora.
GRAVE!
Você percebe?
Escuta só como ele bate.
O tumtumtum não é mais o mesmo.
Não quero dizer que o tempo passou,
que você passou, que a ilusão acabou,
apesar de tudo ser um pouco verdade.
O problema não é esse.
Eu não me contento com pouco.
(Não mais).
Eu tenho MUITO dentro de mim
e não estou a fim de dar sem receber nada em troca.
Essa coisa bonita de dar sem receber
funciona muito bem em rezas,
histórias de santos e demais evoluídos do planeta.
Mas eu não moro em igreja,
não sou santa,
não evoluí até esse ponto
e só vou te dar se você me der também.
Fernanda Mello

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